Sinopse: Ajudada por um ex-historiador qeu se converteu em 'terapeuta de vidas passadas', uma mulher descobre que, no século X a.C., foi uma das setecentas esposas do rei Salomão - a mais feia de todas, mas a única capaz de ler e escrever. Encantado com essa habilidade inusitada, o soberano a encarrega de escrever a história da humanidade - e, em particular, a do povo judeu - a tarefa a que uma junta de escribas se dedica há anos sem sucesso. Com uma linguagem que transita entre a elevada dicção bíblica e o mais baixo calão, a anônima redatora conta sua trajetória, desde o tempo em que não passava de uma personagem anônima, filha de um chefe tribal obscuro.
Livro: A Mulher que Escreveu a Bíblia
Autor: Moacyr Scliar
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 216
Prêmio Jabuti. Quando soube o tema do Desafio Literário de julho fiquei até feliz, pois seria uma forma de me forçar a ler alguma coisa escrita no Brasil. Não é que eu seja preconceituosa com a literatura nacional, é puro costume de ler coisas de fora. Ler é um vício, mas o gênero da leitura também. E é difícil sair da zona de conforto, por isso essas chacoalhadas de vez em quando são boas. Expandem os horizontes.
Mesmo assim eu fui me desesperando à medida que o mês se aproximava, porque não conseguia decidir qual livro escolher. Olhava as sinopses e poucas me agradavam e as que eu gostava estavam além do que meu bolso permitia no momento.
Optei por A Mulher que Escreveu a Bíblia por pura comodidade. Imprimi a lista de ganhadores do prêmio Jabuti nos últimos anos, fiz a carteirinha na biblioteca municipal, olhei rapidamente entre os volumes disponíveis e os que achei mais à mão foram Desenganos e A Mulher que Escreveu a Bíblia. Não pensei duas vezes: levei os benditos para casa.
Comecei pelo livro do Moacyr Scliar (que faleceu em 2011, segundo fui informada pelo rapaz da biblioteca), e não me arrependi, porque alguns dias depois li alguns capítulos do outro título e não me empolguei, seria uma leitura cansativa e forçada. A Mulher pode não ser perfeito, mas pelo menos a leitura é agradável e flui com muita naturalidade.
Achei a ideia do livro bem original. Eu já li a Bíblia algumas vezes e nunca contestei (e continuo não contestando) a sua autoria, por isso não me passaria pela cabeça a ideia de escrever uma história onde outro é o autor. Aliás, a autora. E feia, ainda por cima. E a personagem é divertidíssima, cheia de sentimentos revolucionários característicos de uma pessoa que pensa e não aceita tudo que tentam fazê-la comprar. Uma mulher bem à frente do seu tempo. Diga-se de passagem, mesmo hoje a feia estaria por aqui desestabilizando padrões e quebrando tabus.