segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Desafio Literário do Tigre 2014: Austenland



DESAFIO LITERÁRIO DO TIGRE
TEMA 8: RISOS

Livro: Austenland
Autora: Shannon Hale
Editora: Bloomsbury

Um pouco antes do mês começar eu pedi ajuda aos amigos para escolher um livro que se encaixasse no tema do desafio. Austenland foi a primeira opção que recebi e por isso o que comecei a ler primeiro. Depois vieram outros títulos e eu pretendo lê-los tão logo possível (na verdade queria ler todos este mês ainda, mas por motivos mil acabou não dando certo). Por enquanto as demais opções ficam na minha listinha.

Eu li Austenland mais de 20 dias atrás, o que significa que minha memória sobre as impressões que eu tive ao ler não é das melhores. Preciso aprender a fazer os textos assim que acabo um livro e não quinhentos anos depois.

Confesso que até recentemente não sabia que Austenland era livro. Só tinha ouvido notícias do filme (com a Keri Russell), mas também nunca o assisti, então comecei o livro sabendo muito pouco sobre a história. Posso dizer de antemão que o livro realmente é bem leve, embora nem de longe eu o considere cômico. Quero dizer, eu não achei as situações engraçadinhas ou algo assim, mas não posso discutir sobre a leveza da história. É um livro bem rápido de ler e com uma escrita fluida, sem maiores problemas para compreensão. Na verdade não há necessidade de ruminar a história, tudo está ali rápido e fácil ao alcance dos olhos.

Mas do que se trata Austenland?
Tente imaginar uma mulher que já passou dos 30 anos e é incapaz de se acertar romanticamente. Um dos grandes motivos é que ela é obcecada pelos livros de Jane Austen, mais precisamente o personagem de Orgulho e Preconceito (e mais famoso das obras da autora) Mr. Darcy. 
Então, quando uma tia-avó riquíssima falece deixa como herança para Jane uma temporada de férias em um estabelecimento inglês chamado Austenland, onde as pessoas vivem durante um período exatamente como se estivessem em um dos romances de Jane Austen. A imersão deve ser total: roupas de época, o linguajar, nada de tecnologia atual e o cliente cria uma história para si e deve viver de acordo com ela.
O objetivo da tia é bem claro: fazer Jane tomar um choque de realidade e acordar para a vida, deixando de lado esta obsessão Darciana, ou, talvez, viver o sonho por um período e sentir-se pronta para voltar à realidade e abrir seu coração para um homem de verdade.

O livro tenta ser engraçadinho ao dispor no início de cada capítulo uma história de algum dos ex-namorados (ficantes ou só paixões platônicas) de Jane e como ela foi se decepcionando com os homens. Eu, particularmente, só consegui achar Jane ainda mais patética. A maioria de suas histórias eram bem comuns, pelas quais boa parte das pessoas passa ao longo da vida. Outras eram o reflexo do pouco amor-próprio que a personagem tinha. Pensando bem friamente, ficava claro que o problema de Jane não é que ela não conseguia achar o seu Mr. Darcy, é que ela nunca se impôs diante da vida ou dos relacionamentos e por conta disso sempre foi achincalhada. Era quase como se ela quisesse ser pisada, para corroborar a péssima visão que tinha de si mesma, e isso é muito triste.

É claro que a sua temporada em Austenland foi um divisor de águas. Não é nem spoiler dizer isso. Esse tipo de livro sempre trará um final feliz e um tanto fantasioso. Sim, Mr. Darcy não existe (e se existisse seria bem difícil a convivência com ele, diga-se de passagem, ele parece ter uma personalidade terrível de se lidar), mas a solução que a autora traz para a personagem é tão absurdamente irreal quanto se tivesse criado o seu próprio Mr. Darcy para Jane. Ainda assim é gostoso acompanhar o processo, tentar pinçar entre as situações o que é real e o que é encenado (porque o local das férias é praticamente um grande RPG), observar Jane entrar em contato consigo mesma, as suas dúvidas e decisões.

Não creio que, se Austenland fosse um lugar real, o final da história teria sido o mesmo que no livro, mas, bem, o leitor sabe no que está se metendo logo que começa a ler, então não pode realmente reclamar e pedir seu dinheiro de volta. Você recebe exatamente o que contrata e, neste caso, é um livro leve e que faz o tempo passar voando, mesmo que você já imagine como será o final.

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PS: A dedicatória do livro é bem inusitada:
"Para Colin Firth,Você é mesmo um cara incrível, mas eu sou casada, então acho melhor sermos apenas bons amigos".

Achei legal, embora eu mesma não tenha esse amor todo que as pessoas têm pelo Colin Firth, então ele nunca foi o meu Mr. Darcy e tampouco objeto dos meus sonhos.

PS2: Acabei de descobrir que a autora tem outro livro que se passa em Pembrook Park: Midnight in Austenland. Será que eu arrisco?

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2 comentários:

Lígia disse...

Não conhecia esse livro, mas achei a premissa bem interessante :)

Luana Toledo disse...

Mica, eu fiquei curiosa! Tem os 2 no aubible, acho que vou baixar! Depois eu comento com vc XD

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