quinta-feira, 8 de março de 2012

Livro: Emma (Jane Austen)

Sinopse: Emma Woodhouse é uma jovem aristocrata que vive entediada em um palacete próximo a Londres, na companhia do pai idoso e viúvo. A vida havia se tornado insuportavelmente enfadonha após o casamento e a partida de sua governanta e única confidente. Emma consegue fugir da monotonia ao promover encontros entre pares que considera ideais para se casarem. Leva e traz comentários românticos entre rapazes e moças, sussurrando em seus ouvidos impressões próprias a respeito dos sentimentos alheios. Apesar de ser repreendida pelo querido amigo George Knightley, Emma insiste em dar continuidade à sua "missão", certa de estar praticando o bem. No entanto, uma inesperada reviravolta acontece em sua vida, desestabilizando completamente a jovem que acreditava exercer total controle sobre os assuntos do coração.

Livro: Emma
Autora: Jane Austen
Tradução: Therezinha Monteiro Deutsch
Editora: Best Seller
Páginas:460


Eu fico cá com meus receios de resenhar qualquer coisa da Jane Austen, porque ela é grandiosa e a sua base de fãs é ainda mais intimidadora. Entre as pessoas que eu conheço, tenho a sensação que todo mundo já leu e discutiu a autora à exaustão. O que teria eu para acrescentar? Pouca coisa...ou coisa alguma. Provavelmente só a minha visão de um dos livros mais deliciosos de ler que eu vá encontrar por aí.

Como todo mundo que gosta de ler, conheço Jane Austen há anos, mas ler mesmo seus livros, eu não tinha lido. Certo, li Orgulho e Preconceito, mas me parece tão pouco diante de tudo o que ela já escreveu. 

Emma eu só vim a conhecer em 2009, com a minissérie da BBC, estrelada por Romola Garai (maravilhosa!), que interpretava Emma, e Johny Lee Miller (ainda mais amado) dando vida a Mr. Knightley. Desde então queria ler o livro, mas consegui enrolar até agora. Não mais. Este peso não tenho mais sobre os meus ombros. E, do fundo do coração, deveria ter lido muito antes. Que livro delicioso!

Acho interessante que no ano passado eu li Jane Eyre, da Charlotte Brönte (fiz milhares de anotações e nunca escrevi resenha....tsc, tsc, tsc), e gostei tanto que indiquei para uma amiga (a mesma que me emprestou Emma, diga-se de passagem). Alguns dias atrás, quando comentei que finalmente estava lendo o livro que me emprestou(pois é, estava comigo desde 2010) ela mencionou que, depois de tudo  o que eu disse, resolveu ler Jane Eyre, mas como adora Jane Austen ficou um tanto aborrecida com o estilo da autora e principalmente com as opiniões de Brönte sobre Austen (provavelmente muito mais com a rixa entre as autoras do que com o livro em si...na minha opinião).

Eu, a mais por fora das fofocas literárias, nem sabia que Charlotte Brönte não gostava de Jane Austen, mas fui dar uma pesquisadinha e descobri o que todo mundo, menos eu, já sabia. Se não estou enganada,  Brönte (que tinha 1 ano de idade quando Austen faleceu) recebeu uma crítica negativa de seus livros, usando Jane Austen como comparativo. A autora não gostou nadinha e respondeu dizendo exatamente o que pensava de Austen e seu universo literário (aqui vocês podem ler a opinião da minha Brönte preferida).

Não posso dizer que eu discorde dela completamente. Aliás, comparar Jane Austen e Charlotte Brönte é a coisa mais sem sentido. A única semelhança entre as duas é que são mulheres e que usam mulheres de personalidade bem marcantes como protagonistas. Todo o estilo que empregam em suas narrativas é completamente diferente. A meu ver (do alto da minha ‘grande’ sabedoria de leitora de dois livros apenas) Jane Austen preocupa-se em criticar a sociedade inglesa sob o manto da ironia, do cinismo e de personagens que beiram a caricatura. Mas ela se preocupa com o verniz que esta sociedade apresenta, com o exterior, com as atitudes que o observador externo irá enxergar nos personagens e nas famílias retratadas e não exatamente com a realidade que se passa dentro do coração e mente dessas pessoas.


Charlotte Brönte por outro lado, tem uma escrita mais tortuosa, com personagens atormentados e destrincha os meandros da alma dessa gente de quem escreve. Assim como acontece com Austen, eu também observo na redação de Brönte uma crítica à sociedade e a forma como destaca a força interna de suas personagens femininas, mas enquanto uma critica o exterior, as camadas que o povo apresenta para o mundo, a outra critica as emoções e motivações desse mesmo povo.

Porém, gostar de uma não implica em desgostar da outra, muito pelo contrário. Acredito que cada uma tem a sua importância na forma de fazer o leitor refletir e sentir. Infeliz em suas colocações o crítico que provocou a reação extrema em Brönte.

Mas voltando à Emma, é um livro leve e gostoso de ler, mas longo (dividido em três partes). Demorei um tantinho para me acostumar à leitura, no entanto, quando aconteceu, não queria mais largar. Ficava me martirizando pelo tempo ser tão escasso, o que acabou alongando a leitura por alguns bons dias a mais do que eu pretendia ao início.

O que me chama atenção neste livro é que a protagonista, Emma, é um complexo de defeitos. A garota é inteligente, mas fútil um sem número de vezes, é manipuladora, egoísta, altiva, preconceituosa, esnobe, entre outros predicados.  E ao mesmo tempo é adorável, preocupada com o pai, com os amigos, divertida e (quase) sincera.  Sem falar que ela é a pior casamenteira da história. Não conseguia enxergar um palmo a frente do nariz, e por conta disso enfiou a amiga Harriet em algumas enrascadas.

Por outro lado, Mr. Knightley é o homem perfeito. Não no sentido de que não tem defeitos, mas que é o personagem mais adorável do livro. Ele é a voz da razão, aquele que dá bronca na garota, chama a sua atenção, enxerga profundamente a natureza humana e o caráter alheio e poucas vezes se engana a respeito de uma pessoa. E tem um coração de ouro, sempre disposto a ajudar e a conhecer melhor a situação antes de sair prejulgando.

A amizade entre os dois personagens é, para mim, a melhor de todo o livro. Emma é jovem ainda, tem apenas 21 anos, mas Mr. Knightley já tem 37 e volta e meia joga na cara da garota que ele já tinha 16 anos quando ela nasceu, então é muito provável que ele tenha mais chances de estar certo sobre esse ou aquele assunto do que ela (o que é verdade, embora ela se negue a admitir). 

Os demais personagens são vistos na maioria das vezes pelos olhos de Emma e é divertidíssimo observar como ela enxerga perfeitamente em cada um os seus devidos defeitos (e desfia-os sem pesar de si para si), e não se apercebe que tem exatamente os mesmos defeitos e algumas vezes até em pior grau. Mas nós, leitores, embora estejamos um pouco restritos às visões de Emma, podemos formar nossas próprias opiniões se conseguirmos olhar para além daqueles momentos que os personagens aparecem com a garota. Volta e meia eu me pegava pensando em como seria a vida do Sr. Elton quando não estava no meio dos (supostos) amigos, e como era a vida na casa das Sra. e Srta. Bates, ou mesmo como o povo aguentava as manias irritantes do Sr. Woodhouse e eram indulgentes com ele.

Se há, porém, algo de que me arrependo um pouco é de ter visto a minisserie antes de ler o livro. Por mais que eu tentasse não ser influenciada, a verdade é que eu já sabia como as coisas aconteceriam. Eu já tinha ciência da situação do Sr. Frank Churchill, de Harriet, da própria Emma, por isso foi-me impossível ser imparcial. Eu já sabia o que sentia por cada personagem, independente do que se desenrolava na minha frente. E, sinceramente, a cada página que eu lia eu visualizava Emma como Romola Garai (atriz que eu amo) e Mr. Knightley como Johny Lee Miller (o carisma dele em tela é algo inimaginável) e isso moldou a minha forma de enxergar os personagens. Não queria que fosse assim, mas não consegui me desvencilhar dessa percepção prévia.

Mas agora que já terminei o livro, estou curiosa para ver os outros filmes. Já baixei os dois de 1996 (com Gwyneth Paltrow e Kate Beckinsale)  e tão logo possível pretendo rever Emma 2009, para poder comparar as minhas antigas lembranças com as recém formadas.

6 comentários:

Raquel disse...

Mica,

não importa o quanto as pessoas leiam um autor ou se autoproclamem especialistas, ao fim e ao cabo, o que importa é sua visão e seu deleite com a leitura!

abraços, raquel

Samara disse...

Adoro Jane Austen, Orgulho & Preconceito é um dos meus livros preferidos, mas não li todos os livros dela ainda, inclusive Emma (mas vi o filme,rs). Também não sabia dessa rixa unilateral dela com Charlotte Brönte. Portanto, não posso ser considerada uma base de fã intimidadora, mas adorei seu texto.
Ah, vi que vc lerá Por Favor, Cuide da mamãe, li semana passada e adorei. Falei recentemente dele no meu blog caso se interesse.

Kézia Lôbo disse...

NUnca li Emma, alias eu sei quase todas as histórias da JA, e acredita que nunca li os livros? Isso é uma vergonha... preciso correr atrás das obras dela... é uma leitura obrigatória.

Srta.Sissi disse...

O primeiro livro de J.A. que li foi Orgulho e preconceito(meu preferido) e amei. Torci para eles se entenderem. Por acaso comprei e li Persuasão e também gostei. Vou tentar ler EMMA nas férias de julho...

Patrícia Portella disse...

Olá, Mica. gostei muito do seu blog e quero voltar com mais tempo, tem muita coisa bacana. Gostei demais dessa sua postagem sobre Emma. Também só conheço a estória e nunca li o livro, mas sempre é tempo... Abçs.
Obs. Visite meu blog, quando tiver um tempinho, tb;
http://quandovovoeramoca.blogspot.com.br/

Lily Costa disse...

MT bom! Amo tudo da Jane, mas ainda não li tudo tbm, mas estou quase! Amo os filmes, as séries! E Charlotte, eu só conheço Jane Eyre dela, mas é um dos meus livros favoritos ever! Fiquei triste com a "rixa" mas acho bobagem! Será q ajuda sem colocar o nome das minhas futuras filhas Charlotte e Jane?? RS E apesar da obra ter uns 200 anos, acho q nunca me canso de ler e falar sobre! Então, vem mais q ta pouco! Rs

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