quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Desafio Literário/Férias - A Descoberta do Chocolate

Sinopse: Um jovem espanhol, Diego de Godoy, embarca em 1518 rumo ao Novo Mundo. Como muitos outros que fizeram a mesma viagem, ele parte em busca de fama e fortuna. Na América, luta ao lado de Cortès, o conquistador do México. No meio dessa campanha gloriosa, conhece Ignácia, uma nativa que inicia nos segredos sensuais do chocolate.
As circunstância, porém, rapidamente separam os amantes. Mas Ignácia, antes de partir, deixa com Diego um elixir da longa vida, que adiará sua morte por quinhentos anos. 
Acompanhado de Pedro, seu cachorro, ele vaga pelo mundo ao longo dos séculos em busca do verdadeiro amor, do sentida da vida e do chocolate perfeito.
A Descoberta do Chocolate é um romance antológico, que combina descrições poderosas, boas doses de sobrenatural e temperos perfumados que fazem de sua leitura um prazer inesquecível.

A Descoberta do Chocolate
Autor: James Runcie

Contra todas as minhas previsões, A Descoberta do Chocolate foi um livro bem fácil de ler. Diferente de como eu imaginava, não trouxe grandes emoções (na verdade, apenas uma, mais ao final do livro, que me fez chorar muito, tanto pela tristeza do acontecimento quanto pela grandeza do egoísmo do personagem) ou mesmo muita empatia diante dos acontecimentos, mas isso não prejudicou a leitura.
Na verdade, o livro é até interessante, leva-nos para diversos locais em inúmeros pontos da história (embora seu enfoque seja sempre o chocolate). O maior problema está no seu protagonista desprovido de qualquer carisma. Mas é perfeitamente possível gostar de um livro e desprezar seu personagem principal.
Diego de Godoy recebeu um presente glorioso: sua vida prolongou-se muito além do que qualquer outro ser humano poderia esperar. Infelizmente, ao invés de usar seus séculos a mais para aprender a ser um ser humano melhor, Diego foi um homem obcecado e egoísta. Só conseguia pensar em chocolate, no seu amor perdido (o que para mim era uma loucura, pois não consegui sentir simpatia ou aquele ardor entre os dois amantes quando se conheceram e tampouco durante as mais de duzentas páginas do texto)  e em como sua vida era extensa e sem significado. Ele tinha a oportunidade de influenciar vidas, fazer a diferença no mundo e mesmo assim escolheu fechar-se em seu próprio umbigo. 
Não bastassem os primeiros duzentos (ou trezentos, não estou bem certa) anos de sua vida terem passado como um sonho, sem que pudesse de fato aproveitá-los, o restante dos seus dias foi desperdiçado com medo de se entregar, com a obsessão com o chocolate (como alguém conhece providencialmente outros maníacos por chocolate em tudo quanto é canto que vai  é algo que está além da minha capacidade de compreensão), com o desejo de morte e até mesmo com  vícios (primeiro álcool, depois os jogos). Uma vida mesquinha, quinhentos anos que levaram o protagonista a decrescer como ser humano. Alguém que fora um Conquistador, notário do Imperador, jovem cheio de ímpeto, curiosidade e confiança, tornou-se um farrapo humano, um dejeto, a sombra dele mesmo.
Não dá para simpatizar com Diego e sua falta de capacidade de aprendizado, mesmo assim, é possível torcer para que um dia reencontre a sua amada. A infelicidade é que desperdiça quinhentos anos nesta busca e nada  positivo tem a entregar a ela ao final. Cinco séculos que poderiam ter vivenciado juntos tornaram-se séculos de amargor e desilusão e nem ao menos pode dizer que é um ser humano melhor, mais sábio e experiente.
O interessante no livro são as delícias culinárias criadas por Diego. Embora sua paixão seja o chocolate (e deixa o leitor com água na boca, ansiando por esta fina iguaria, e não apenas os nossos chocolates em barra feitos à exaustão e sem a qualidade e o refinamento que antes era dedicado a esta delícia), ele descreve praticamente tudo o que cozinha ou cria, e nos deixa com aquele desejo irresistível de experimentar todos os condimentos e aprender a fazer pratos tão interessantes ou elaborados.
É, afinal, um livro um pouco pretensioso, mas agradável à leitura. Poderia ser melhor? Com certeza, mas não é algo para ser descartado sem uma segunda olhada com mais carinho.
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Desafio de Férias 2010/2011

4 comentários:

naomi disse...

não conhecia esse livro, deu vontade. :o)

Mica disse...

Eu comprei em uma dessas promoções de livraria, mas confesso que não o leria tão cedo se não fosse o Desafio de Férias. Como eu não queria que todos os livros fossem do mesmo estilo, ou meras sequências de série de livros, incluí esses que eu normalmente para mais tarde.
Fiquei feliz por ter realmente entrado em férias e poder ler sem maiores contratempos.
E me deu uma vontade de aprender a cozinhar bem...

Ana Carolina Nonato (BLOG O DESAFIO DE CADA DIA) disse...

Olá!

Nunca tinha ouvido falar deste livro, mas a descrição do personagem principal me lembrou o livro de Mário de Andrade, Macunaíma: o herói sem nenhum caráter... Poderia haver alguma semelhança?
Até mais.

leeloo disse...

Sua resenha é otima, da pra voce ter uma noção se voce quer ler mesmo o livro ou nao, mas quando o livro nao me prende a atenção por completo eu sempre acabo o abandonando! rs!

Ta aqui uma dica de livro.
Pouco Tempo de Michely Cantagalo.

Eu acabei o comprando porque axei a capa linda( não resisti) e A-D-O-R-E-I ! chegava a ficar anciosa para chegar em casa para continuar a ler.

vou deixar o trailerbook do livro aqui.

www.youtube.com/michelycantagalo

beijinhos!

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