terça-feira, 1 de julho de 2014

É tempo de Fantasias Urbanas! Dois Livros: Night Broken (Patricia Briggs) / Dead Beat (Jim Butcher)

O mês de junho começou com a escolha de Lugar Nenhum para o Desafio Literário do Tigre. Os que vieram depois foram consequência. Autores que eu gosto em uma época que eu estava motivada para o estilo. E foi assim que eu acabei lendo quatro fantasias urbanas em junho.
Como Lugar Nenhum eu já comentei por aqui, resta falar sobre o 8° livro da série Mercedes Thompson e  o 7° da série The Dresden Files. Também li o 6° e último da série The Mortal Instruments, mas deixo este para comentar em outra oportunidade.

Livro: Night Broken
Série: Mercedes Thompson
Autora: Patricia Briggs

Eu já comentei o quanto eu amo as capas da série Mercy Thompson? Acho que já, mas não custa repetir, afinal, foram elas que me chamaram atenção para a série em primeiro lugar. Acho a arte belíssima. O autor das capas é o Dan dos Santos e vocês podem ver um pouco do trabalho dele aqui.

E este é o oitavo livro da série. Tentei fazer uma leitura espelhada (ouvir o áudio book e ler o livro ao mesmo tempo), mas não deu muito certo. Depois de uns 25 minutos eu desisti. Ultimamente tenho ouvido muitos áudio dramas, os quais tem vários intérpretes para os papeis e não consegui  me adaptar com uma única voz interpretando todos os personagens e ainda fazendo a narração. Fiquei aflita e irritada, sem falar que demora umas três vezes mais do que a leitura pura e simples, então larguei mão e continuei só com o livro mesmo. Mas hei de tentar novamente em outra oportunidade, porque é uma chance de ouro de captar a pronúncia correta das palavras que você costuma ver só no papel.

Não tem muito como falar do oitavo livro de uma série sem partir do pressuposto que as pessoas saibam do que se trata a história. No caso, de uma walker com origem indígena que pode se transformar em Coiote (algo raríssimo) e que é envolvida com uma alcateia de lobisomens nas Tri-Cities. Ela foi criada por uma alcateia em Montana, onde o Alfa era nada mais nada menos do que o Marok, o Alfa de todos os Lobisomens da América. Mercedes também herdou (bom, comprou com seu suado dinheirinho) a Mecânica de automóveis antigos do seu chefe, que era ninguém menos que Siebold Adelbertsmiter (também conhecido como Zee), um gremlin que vivia como humano há algum tempo e que decidiu se aposentar quando o povo das Fadas assumiu sua existência ao mundo. 

Muita água já rolou por baixo desta ponta desde que a série começou lá em 2006, mas a essência de Mercedes Thompson nunca se perdeu, mesmo com a inclusão de novos personagens e de intrincados jogos políticos entre os seres de diversas facções. 

O que eu gosto nesta série é como a autora se atém aos detalhes e ao crescimento dos personagens. Alguns livros atrás Mercy foi estuprada e até agora ela tem reações condizentes com a brutalidade pela qual passou. Outra coisa interessante é que Stefan mordeu Mercy (há tanto tempo que eu mesma já tinha quase esquecido), conectando-os de uma forma que apenas vampiro-presa pode ser conectada, mas ele tem um carinho gigantesco por Mercy e, mesmo que a ligação entre os dois ainda exista, Stefan dá a ela toda a liberdade que a personalidade dela exige (além de ter escondido até agora que ainda estavam ligados). Sem falar no bendito cajado feito pelas Fadas e que segue Mercedes para tudo quanto é canto e já a colocou e tirou de várias confusões.

As personagens crescem, amadurecem, ganha-se aliados, perde-se pessoas, personalidades são destruídas...gosto mesmo da construção que a autora faz para sua série.

E em Night Broken Mercy a autora traz de volta Christy, a ex-esposa de Adam, atual marido de Mercedes e Alfa dos lobisomens das Tri-Cities. É bom ver como Mercy lida com a situação, como ela se sente ameaçada e percebe o jogo que Christy faz, mas não tem como agir com a liberdade com a qual gostaria porque tem toda uma alcateia para pensar e não apenas no seu relacionamento com Adam.

Fiquei particularmente feliz com a introdução de um meio-irmão para Mercedes. É bom saber que ela não está só, mesmo que Gary não vá ficar por perto por muito tempo. Eu tenho uma queda pelo Coyote e doía meu coração ver o quanto Gary o desprezava, apesar de eu entendê-lo, pois o pai sempre o colocava em complicações, mesmo que houvesse um motivo para cada atitude do Coyote. O problema é que a entidade nunca se preocupou em explicar o que realmente tem em mente, ele apenas faz o que quer e deixa os outros para lidarem com as consequências. 

Ainda assim eu gosto do Coyote e fico satisfeita por esta parte da vida de Mercedes estar sendo preenchida. É bom saber as origens dos personagens, e foi muito bem vinda a notícia de que existe a chance de Mercedes ter uma vida longa (o irmão já tem mais de 130 anos), ainda mais sendo ela casada com um lobisomem.

De resto, não farei maiores comentários. Foi um livro muito bom, o vilão foi bastante assustador, ainda que não tenha sido o pior que eles já tenham enfrentado e, para variar, estava atrás de Christy e não de Mercy ou dos lobisomens - o que não quer dizer muita coisa, já que eles sempre acabam no meio dos acontecimentos - e gostei como lidaram com ele.

Como Night Broken foi lançado em março deste ano, não tenho ideia de quando sairá o próximo livro da série. Com sorte ano que vem, quem sabe?

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Livro: Dead Beat
Série: The Dresden Files
Autor: Jim Butcher

Eu gosto muito do gênero Fantasia Urbana, mas não tem série que eu goste mais do que The Dresden Files. Até agora o autor já lançou 15 livros e este ainda é o sétimo, mas nunca me arrependi de começar algum livro da série. Verdade seja dita, eu só não leio os 15 de uma vez por dois motivos:

1) Se eu não intercalar a leitura com outros gêneros ficarei mal acostumada e provavelmente perderei o gosto por outro tipo de literatura por um bom tempo (isso é sempre um risco comigo, por isso tento variar);
2) Eu gosto tanto da série que não tenho pressa de terminar. Adoro ter um novo livro do Dresden para ler quando estou precisando relaxar, sair de alguma ressaca literária, ficar feliz... Não é que os livros sejam o tipo de leitura fácil, longe disso. É só que o autor escreve bem, seus personagens são muito bem construídos, as histórias são realmente envolvente e Harry Dresden é incrivelmente cativante. Você começa a leitura e não consegue parar. Seria muito triste não ter um novo livro para ler quando a ocasião exigisse. Por isso eu leio no máximo um ou dois da série por ano, apesar da vontade de pegar todos em sequência ser muito grande.

Harry Dresden é um personagem com um terrível complexo de herói. Ele sente a necessidade de ajudar todo mundo. Sente o peso da responsabilidade nos ombros, chega a ser irritante. Não poucas vezes eu me pergunto se todas as complicações que acontecem em Chicago não seriam atraídas pela presença dele. Não de uma forma consciente, mas como se o fato dele estar ali (e ser tão intrometido) acabasse atraindo os maus elementos do mundo sobrenatural. É bem verdade que, aparentemente, se não fosse Harry, Chicago já teria sucumbido há muito tempo, mas a minha grande dúvida é: se ele não estivesse ali salvando o universo toda esta sorte de criaturas bizarras iria parar em Chicago?

Mas como isso é filosofar e não vai adiantar muita coisa, vamos nos ater aos fatos: o White Council (dos magos) está em guerra com a Red Court (uma das 3 cortes de vampiros), uma guerra, inclusive, iniciada por Dresden (em seu favor está o fato de que ele não tinha muita escolha naquela época). A líder da Black Court também não está muito feliz com Harry e o colocou na parede - ameaçando expor e destruir a carreira da detetive Murphy, melhor amiga de Harry - e exigiu que ele encontrasse e entregasse o Livro das Palavras. Como Harry não tem a menor ideia do que seja, faz uma pesquisa profunda e descobre que o tal Livro das Palavras tem a ver com necromancia e com um antigo mago extremamente poderoso e que foi abatido com muito custo pelos Wardens, a polícia dos magos.

Deste livro quatro coisas são importantes lembrar:

- Harry deu permissão para que a 'impressão residual' de Lasciel, o anjo caído que está 'impresso' na palma da sua mão (e trancafiado na terra embaixo do seu laboratório, dentro de uma moeda de prata) o ajudasse a derrotar os necromantes que buscavam o poder de um deus. 
Pode parecer pouco, mas foi uma porta que Harry abriu para o anjo caído, e ele sabe muito bem que esses tipos (são 30, trancafiados nas moedas de prata de Judas) quando dividem a mente com um hospedeiros acabam por destruir completamente a consciência e o caráter do seu hospedeiro, mesmo que demore muito tempo. Eu temo por Harry, de verdade.

- Bob, o espírito do air extremamente inteligente e que vive em um crânio humano atualmente em posse de Harry, pertenceu a Kemmler, um necromante (o autor do Livro das Palavras) poderosíssimo e que mudou a essência de Bob enquanto esteve sob o controle dele. As lembranças daquele tempo foram apagadas/trancafiadas e Bob não pode acessá-las sem perder a si mesmo no processo. Eu admito que tenho a maior curiosidade para saber mais sobre Bob.

-  Os Wardens foram quase completamente dizimados, a ponto da capitã Anastasia recrutar Harry para o serviço. Lembrando que Harry foi perseguido pelos Wardens (em especial Morgan, por toda a sua vida, dá para entender que Dresden não ficou muito feliz em assumir a posição, mas diante da situação precária dos Warden (esmagados pela Red Court), ele não teve como dizer não.

- Waldo Butter, o médico legista, finalmente está inteirado do mundo sobrenatural. Feliz vida inocente e de olhos vendados ele levava até aqui...

Uma menção honrosa a Thomas, membro renegado da White Court e meio irmão de Harry, que continua vivendo com Harry (há 1 ano já) e está no limite de suas forças. Mais cedo ou mais tarde o vampiro falará mais alto e ele terá que se alimentar propriamente, e não apenas fazer lanchinhos. Lembrando que os vampiros da White Court se alimentam das emoções e da energia vital das pessoas por meio do sexo. São quase súcubos e íncubos. 

Confesso que ao terminar o livro fiquei com muita vontade de ler o próximo, foi difícil me segurar. Estou pensando seriamente se aguardo alguns meses ou se vou logo para Proven Guilty. Os livros são bons demais.

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