sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Review: Terminator: The Sarah Connor Chronicles – Adam Raised a Cain e Born to Run

Texto postado originalmente no site Teleseries (2009). É com dor no coração que eu posto mais uma vez o final desta série que me marcou profundamente:



Série: Terminator: The Sarah Connor Chronicles
Episódios: Adam Raised a Cain e Born to Run
Temporada: 2ª
Número do Episódio: 30 (2×21) e 31 (2×22)
Data de Exibição nos EUA: 3 e 10/4/2009
Data de Exibição no Brasil: 31/5 e 7/6/2009
Emissora no Brasil: Warner

Não foi fácil escrever sobre os episódios finais de Sarah Connor Chronicles. Confesso que relutei até o último minuto para reassistir os episódios. Saber com certeza absoluta que tudo acabava ali, que daqui para frente toda e qualquer resolução estaria no campo teórico e cada fã teria sua própria versão dos fatos não ajudavou em nada na elaboração do texto.

Mas enfim eu revi o final, e embora o choque não tenha sido tão agressivo quanto o foi na primeira vez que eu assisti, a dor do fim foi muito maior. E a certeza de que a série merecia uma terceira temporada continuará comigo até o fim dos dias.

O que eu mais gostei é que eles conseguiram unir as histórias e dar um fechamento relativo para o desenvolvimento principal da série. Nenhuma ponta solta se fechou, nada foi respondido de verdade, mas sem dúvida nenhuma a narrativa da série como nós conhecíamos terminou em Born to Run. Se houvesse uma terceira temporada as coisas definitivamente não seriam as mesmas. E por isso que o final chocante serviu como encerramento da série. Ele não nos respondeu nada, muito pelo contrário, deixou-nos com ainda mais questionamentos, mas ao mesmo tempo ele deu um término para a caminhada de Sarah, John e Cameron. Agora é cada um por si e a mente dos fãs por todos.

Na reta final a série recuperou o fôlego e agradou boa parte dos fãs, mesmo os já desacreditados . Em nenhum momento eu reclamei dos rumos de Terminator no decorrer da temporada, muito pelo contrário. Eu gostei muitíssimo do desenrolar devagar, da imersão na mente problemática de Sarah e mesmo da companhia nada bem vinda de Riley e de Jessie. Mas não nego que se a série tivesse mantido o ritmo dos episódios finais durante toda a temporada, ela não estaria cancelada agora. O engraçado é que fã não sabe o que quer. Se fosse a ação alucinada apenas, os comentários sobre O Exterminador do Futuro: A Salvação seriam diferentes.

E Sarah Connor caminhou rumo ao fim eliminando seus personagens um a um, e cada um serviu para o crescimento do clímax e para o amadurecimento de John. Primeiro foi Riley, depois Jessie, então foi a vez de Charlie (e essa morte doeu, pois eu tinha muito carinho pelo personagem) e finalmente Derek. E embora eu tenha sentido cada uma delas, nenhuma me deixou tão abalada quanto a de Derek. Foi tão banal, tão repentina, tão definitiva que meu coração sangrou. E a forma como os Connor lidaram com a situação tornou tudo ainda mais angustiante. Não havia tempo para lamentações, eles estavam em um momento definitivo e atitudes imediatas eram necessárias. E foi talvez por isso que fiquei tão impressionada com Thomas Dekker. Ele conseguiu dar a John Connor o tom certo entre o choque, a dor, o sofrimento, a raiva e a frieza que a situação exigia.

Igualmente impactante foi a cena de Sarah presa no final de Adam Raised a Cain. Tudo parecia desmoronar e eu não tinha a menor idéia de qual seria o rumo que a série tomaria a partir dali. Inclusive isso era o que eu mais gostava em Terminator: eu nunca sabia o que eles fariam de cada situação.

John Henry foi um show à parte. A preocupação e carinho que o robô desenvolveu por Savannah foi tão tocante que nada me tira da cabeça que foi a garotinha a responsável por John Henry se tornar uma máquina a lutar contra a tirania das outras máquinas. Não foi Weaver com sua frieza ou Ellison com sua moral duvidosa, mas sim a inocência de uma criança que roubava toda cena em que aparecia.

Isso, é claro, na hipótese de ser este o propósito de John Henry no futuro. Eu creio que é, mas certeza mesmo? Sem chances. Além do que, acredito que sua luta é maior do que a resistência em si. Eu vejo o super computador mais como uma facção própria nesta luta atemporal. Existem os humanos, a Skynet, e John Henry. Pelo visto os humanos não poderão vencer sem o computador, mas John Henry também não tem um propósito sem John Connor.


Mas por que Cameron deu seu chip ao robô? Por que ela negou conhecer a pergunta de Weaver (embora tenha se decidido naquele momento sobre o que faria, e eu creio que foi por isso que salvou Sarah)? Por que John Henry repetiu a pergunta à ciborgue? Por que ela veio do futuro ficar ao lado do jovem Connor? Quem estava realmente por trás de Cameron? A quem ela respondia? A Connor? Às máquinas? A si mesma? Por que ela e John Henry (se é que a consciência de Cameron de fato viajou junto com o seu chip e não foi transferida para a profusão de máquinas no porão de Catherine) foram para o futuro?

E o mais interessante nessa história toda foi a reação de John. Ele não titubeou ao ver o que Cameron havia feito. Ele iria atrás de sua ciborgue, nem que para isso precisasse enfrentar outra viagem no tempo, talvez sem volta. E enquanto Sarah voltou atrás, pois não era aquele o seu propósito, não era aquela a sua luta, John não pensou nem por um segundo em sair do raio de ação da máquina do tempo. A grande pergunta é: o que esse outro pulo ao futuro fez para a resistência? Pelo visto John Connor não existe naquele futuro e a resistência ainda está lá. Como ela se organizou? Ela está vencendo ou no limiar da derrota? É uma coisa universal como a organizada por Connor, ou setorizada, cada um lutando por sua sobrevivência?

Mas não tenho vergonha alguma em afirmar que as cenas finais de Sarah Connor Chronicles foram como uma pancada em meu peito. A forma como ligaram todas as informações através do rapto de Savannah, a cena altamente sensual de John e Cameron na cama (alguém ainda duvida de que esse tempo todo o garoto esteve lutando contra seus sentimentos pela ciborgue?), a confissão explícita de Weaver, a viagem para o futuro, a separação dos Connor, tudo serviu para fechar com chave de ouro esta série. E mesmo a reaparição de Derek (e a oportunidade de John finalmente conhecer o pai) não tirou o impacto de sua morte no episódio anterior, muito pelo contrário.

Derek está morto. Kyle Reese está morto. Aquele é o futuro que John terá que conhecer, como sempre soube que aconteceria. O grande choque foi rever Cameron ainda na pele da humana Allison. Qual será a reação do garoto daqui para frente? Não tenho dúvidas de que ele forjará uma ligação com Allison, mas o que o motiva? Foi seu sentimento por Cameron quem o aproximou da garota (a ponto de mandá-la em uma missão onde sabia que ela morreria e que a ciborgue seria construída à sua imagem), ou foi seu sentimento pela garota que o fará confiar plenamente e eternamente em Cameron?

E como ele se integrará na resistência? Ele não está ali para ser John Connor – líder da resistência humana. O garoto está ali para reaver John Henry e o chip de Cameron. Essa é a sua missão. Ele vai prosseguir com ela até o fim? Ele vai voltar a procurar por Weaver? Ele vai abrir a situação para o tio e o pai? Ele vai/quer voltar para o passado? Porque um passado sem John Connor, é um futuro desconhecido para todos, inclusive para nós.

E agora? As cartas estão na mesa, resta aos fãs elaborarem suas próprias versões para o futuro desta série que em tão pouco tempo conquistou completamente meu coração.

4 comentários:

!3runo disse...

Lindo review, tocante, parabéns!

Denis Diniz disse...

Baixei a série e terminei de assisti ontem (e pode ter certeza que vou assistir de novo). Fiquei super emocionado e boquiaberto com o final, bolei mil teorias sobre como seria a terceira temporada se a FOX (minha arqui inimiga agora) não tivesse cancelado essa série tão boa.
Amo a franquia Terminator. E essa série, com uma história alternativa que é diferente da franquia original, ficou sensacional.
Só me resta dizer que já sinto saudades de John, Sarah, Cameron, e todos os outros...

#luto :(

Parabéns pelo Review! 8)

PS: Deveriam mandar um exterminador no tempo e matar os executivos da fox que cancelaram a série. lol

Gilmar Voltaire disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gilmar Voltaire disse...

Olá boa noite, vim assistir está serie agora e gostei bastante do post! Adorei as partes em que aparecia John Henry e como ele aprendia com os humanos. Agora algumas das minhas analises: A morte de Derek foi banal tipo "a serie vai ser cancelada alguém tem que morrer" o cara participava da resistência no futuro e morreu tão facil para o exterminador..., com relação as suas perguntas acredito que quando John vai para o futuro e vê a garota em quem Cameron vai baseada ele entendeu que a função original de Cameron era se infiltrar e mata-lo,
Cameron vem dizendo no começo que foi mandada por John Connor do futuro mas mente constantementem toma atitudes "próprias", acredito que ela faz parte de uma resistência robôtica junto com Weaver que tenta alcançar a liberdade ( a série me fez perceber que a Skynet escraviza as maquinas que cria, tipo elas não tem direitos de escolha e Weaver estaria lutando por esses direitos de "liberdade", só que ela mesmo é limitada por conta de sua programação, por isso cria John Henry e faz com que ele aprenda com os humanos para criar uma nova geração de máquinas que possam escolher sua programação - Cameron conseguiu vencer sua programação e "amar John"), no futuro John não tera muitas escolhas pois os humanos não irão acreditar que John Henry e Weaver são aliados e terá que fingir por um tempo que não os conhecem ao mesmo tempo em que terá que se firmar como lider da resistência, e não, ele não Sabia que Allison morreria na missão e que Cameron seria forjada a sua imagem e como ele saltou no tempo mudou tudo!

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