segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Crítica: Gamer

Gamer
Roteiro e Direção: Mark Neveldine & Brian Taylor


Alguém pode me explicar como um filme com o Gerard Butler, Michael C. Hall e Kyra Sedgwick pode ser tão ruim!? Porque essa é a melhor palavra para descrever Gamer: ruim, muito ruim. A única coisa que se salva no filme inteirinho é a interpretação dos três atores, todo o resto é puro lixo. Prova disso é a nota do Metacritic: 27. Uma vergonha.

Quando eu vi o trailer alguns meses atrás, acreditei que o filme seria legal. É claro que não esperava uma obra-prima, mas parecia ser uma ação interessante, com atores que eu gosto muito. Mas uma amiga assistiu primeiro e lançou a bomba, mesmo assim eu fui teimosa e também assisti.

Gamer é confuso, sem pé nem cabeça. A história não faz sentido, ou melhor, até tem um certo roteiro sendo seguido, mas ele é quase irrelevante. A única coisa que importa no filme é que Kable (Gerard Butler) é controlado por um adolescente e é tão bom em se manter vivo, que chegou à final do jogo (adequadamente chamado Slayers).

Mas estou colocando o carro na frente dos bois. Gamer se trata de um futuro não muito distante, onde jogos como The Sims saíram do plano virtual e entraram no real. Explicando melhor, Castle (Michael C. Hall, fantástico como sempre) criou um jeito de modificar as células humanas de forma que as pessoas possam ser controladas por outras e serem personagens de jogos reais. Tudo começou com um jogo chamado Society, bem ao estilo The Sims, mas logo evoluiu para jogos de guerra, como o tão famoso Slayers. O ser humano, animal feroz que é, aderiu com toda a gana ao novo brinquedo e usa e abusa da virtualidade real.

O interessante é ver a multidão que assiste no maior frenezi os personagens (em sua maioria condenados que, para ganhar a liberdade, precisam vencer o jogo) matando e morrendo, como se não fossem serem humanos ali do outro lado da tela.

O personagem principal do jogo é Kable, que é controlado pelo jovem Simon (que, na minha opinião, é totalmente inútil à trama, embora seja decadente ver um garoto de 17 anos vivendo o tipo de vida que aquele garoto vivia). Pelo menos até fazer um acordo com o controlador e tomar posse do próprio corpo e sair em busca da esposa, da filha, e daquele que é o responsável por ter sido preso, condenado e escravizado em um jogo.

E tirando uns detalhes aqui e outros ali, o filme é só isso mesmo. Tiroteio, muitas cores misturadas com a falta absoluta de cor, sangue e pornografia (sim, porque o que o filme mostra é a venda do sexo, são cenas claramente colocadas com o intuito de chocar e de mostrar como é baixo o estilo de vida escolhido pela humanidade). A impressão que se tem é a de que estamos em meio a um jogo, devido ao cenário e a forma como a câmera se movimenta. Mas como bem disse alguém, se eu quisesse uma cópia literal de um jogo, eu jogaria e não assistiria um filme.

Os diálogos são confusos, várias cenas desnecessárias, o talento dos atores desperdiçado, enfim, uma perda astronômica de tempo. Sinto-me até feliz por não ter ido ao cinema assistir Gamer (e jogado meu dinheiro no lixo).

11 comentários:

Anônimo disse...

Credo, Mica... Isso é ódio demais para um filme só. Pare um pouco e lembre que filmes - principalmente blockbusters desse calibre - são feitos para entretenimento das massas, e dificilmente vão conter uma mensagem mais elevada ou complexa, ou um roteiro mais trabalhado. Basicamente, a maioria das tramas no cinema-povão recente são bem rasteiras. Gamer não é o pior do gênero e pode apostar que sempre tem algo pior vindo por aí.
Cinema nem sempre tem uma função edificante. As vezes a única função de um filme é despejar informação enquanto colocamos o cérebro no colo e deixamos a coisa rolar.

Mica disse...

Hum...seria bom se eu soubesse quem é o Anônimo, mas...vale lembrar que eu sou fã de cinema pipoca. Adoro arrasa quarteirão. Adoro filme trash. Amo filme de fim de mundo, apocaliptico, ação total, tiroteio, pancadaria, som alto, etc, etc, etc. O que significa que, para Gamer estar tão mal no meu conceito, é porque é realmente ruim.
Não sei se você assistiu o filme ou não, mas eu achei Gamer cansativo (e ele é super curto! 1h24!), visualmente ruim, roteiro pior ainda. A única coisa que vale a pena é o elenco. Os atores estão muito bem.
E tudo bem, até dá para tirar uma ou outra discussão do filme, como a lobotomização do ser humano, a cultura dos realities (pq é isso que o tal Slayer é), a degradação da sociedade pelo mergulho obsessivo na net entre outras coisas. Mas mesmo assim há formas melhores de se discutir isso que não em um filme mal feito.
E como eu disse, a idéia não era ruim. Eu vi o trailer e gostei do que vi. Eu achei incrível esse negócio de um ser humano controlando o outro em um jogo de vida ou morte (acho que eu sou o tipo de pessoa que eu odiei ver no filme, hehehe). Mas a execução dessa mesma idéia não foi boa. Sinceramente não foi.
Mas se eu me arrependi de ter assistido? Claro que não! Nós sempre precisamos de exemplos positivos e negativos para fazer comparação...então uns filmes descartáveis são bons de vez em quando na coleção ^_^.

Camilo disse...

Acabei de assistir. É praticamente um filme cult..

Anônimo disse...

Eu gostei do filme.. não é tão ruim assim... Não vale a pena gastar dinheiro a assistir no cinema. Mas em casa vale a pena assistir.. ;)

Fred Delgado disse...

Acabo de ver o filme e concordo que ele é ruim. Poderia ter sido bem melhor, mas infelizmente estragaram.

Os atores são bons mas o roteiro é pouco trabalhado, até aí tudo bem. O problema foi me esforçar pra entender o que se passava na tela visualmente.

Acho o filme esteticamente bonito, ao contrário de você, mas o jeito como a câmera de movimenta pra mostrar nada e as edições repetitivas e sem motivo - na verdade o motivo era mostrar que aquilo era virtual, e a maioria era travação de ping, pra vermos como os jogadores viam - desnecessários na imensa maioria das vezes.

Gostei das cores, e tudo mais, cheio de referência oitentista e da década passada, mas pra quê, afinal? Tínhamos que parar de observar isso tudo pra não perder e/ou voltar a entender a dinâmica da coisa.

Enfim...

Anônimo disse...

O filme está dentro dos padrões atuais de porcaria que vem dos EUA pra cá, porém em termos de narrativa é bastante interessante. Por isso, achei um bom filme para se assistir no cinema. Em casa, acho que não vale a pena.

Jão Pipa disse...

Vc tem cara de quem gosta de Crepúsculo, portanto, não devo levar sua opinião a sério.

Anônimo disse...

acabei de ver, que lixo! Desdo Magnata, fazia tempo que não via um filme tão ruim, o pior de tudo é que o site OMELETE deu 4 ovos pra essa merda!

Anônimo disse...

A dupla Neveldine/Taylor tem que saber que o que deu certo em ADRENALINA não serve de fórmula para tudo. Neste, a câmera nervosa não colou. Concordo contigo então, o filme é chato e mal feito e a história não é nem de longe original (vide O SOBREVIVENTE, ASSASSINO VIRTUAL, PASSAGEIRO DO FUTURO e por aí vai).
E se for o caso de defender o cinema-pipoca, tenho um exemplo de como fazê-lo do jeito certo: veja (quem não viu ainda) VINGANÇA ENTRE ASSASSINOS, com o Ving Rhames, que também tem um lance de "reality show". Diversão pura sem filosofar à toa sobre os males da sociedade moderna.
(NANDO NUQUE.)

Vitor Boaventura disse...

Concordo plenamente. O filme é a definição perfeita de potencial desperdiçado, tanto a trama como o elenco. As cenas de ação no início do filme são um estupro visual, o corte frenético e a câmera tremida são exaustivos. A trilha sonora é risível, as músicas dizem metaforicamente o que está acontecendo na cena. Graças ao elenco o filme não é um desastre total. O filme faz um ótimo trabalho em apresentar os seus vilões, a cena do Terry Crews cantando Got no Strings é tensa e memorável, a do Michael C. Hall cantando Under my Skin, então, nem se fala. O problema aparece quando o filme decide mostrar o que os seus vilões realmente são capazes de fazer, fica aquela sensação desagradável de "eu esperava mais". Resumindo, o filme tinha potencial pra muito mais.

Vitor Boaventura disse...

Concordo plenamente. O filme é a definição perfeita de potencial desperdiçado, tanto a trama como o elenco. As cenas de ação no início do filme são um estupro visual, o corte frenético e a câmera tremida são exaustivos. A trilha sonora é risível, as músicas dizem metaforicamente o que está acontecendo na cena. Graças ao elenco o filme não é um desastre total. O filme faz um ótimo trabalho em apresentar os seus vilões, a cena do Terry Crews cantando Got no Strings é tensa e memorável, a do Michael C. Hall cantando Under my Skin, então, nem se fala. O problema aparece quando o filme decide mostrar o que os seus vilões realmente são capazes de fazer, fica aquela sensação desagradável de "eu esperava mais". Resumindo, o filme tinha potencial pra muito mais.

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