sábado, 26 de novembro de 2011

Livro: A Promessa

Sinopse: Beth Cardall tem um segredo. Durante dezoito anos, ela não teve escolha senão guardá-lo para si, mas, na véspera do Natal de 2008, tudo isso está prestes a mudar.
Para Beth, 1989 foi um ano marcado pela tragédia. Sua vida estava desmoronando, sua filha de seis anos, Charlotte, sofria de uma doença misteriosa; seu casamento transformou-se de uma relação aparentemente feliz e carinhosa em algo repleto de traição e sofrimento; seu trabalho estava por um fio e ela perdera totalmente a capacidade para confiar, ter esperanças e acreditar em si mesma. Até que, um dia extremamente frio, após atravessar uma nevasca até a loja de conveniência mais próxima, Beth encontra Matthew, um homem misterioso e encantador, que mudaria de uma só vez o curso de sua vida.
Quem é este homem e como ele parece conhecê-la tão bem? Matthew a persegue incansavelmente, mas somente após se apaixonar perdidamente é que descobre seu incrível segredo, transformando sua forma de ver o mundo, assim como seu próprio destino.

Livro: A Promessa
Autor: Richard Paul Evans
Editora: Lua de Papel
Tradução: Thiago Novais
Nº de páginas: 283

Algum tempo atrás eu vi um site que mostrava como era possível saber o tipo de filme pelos cartazes. Infelizmente perdi o link, senão postava aqui para vocês darem uma conferida. Mas o caso é que eu deveria saber como era A Promessa quando olhei para a capa do livro. Eu até pensei, mas me deixei enganar pela vendedora da livraria que me recomendou o bendito.

O interessante é que eu estava comprando Confissões de Uma Máscara do Yukio Mishima naquele dia (estava com o livro na minha mão para levar) e ela de repente aparece ao meu lado e diz "leve este, é muito bom". Como estava na promoção eu não pensei muito e levei. Assim, na confiança. Nem parei para ler do que se tratava (pois é). Só passei os olhos rapidamente na contracapa e li o início da sinopse (aquela ali em cima) e o final e falei para mim mesma "ok, vou levar".

Deveria ter parado para pensar com mais carinho. Não que o livro seja horrível, ele não é. Mas poderia ser melhor, muito melhor. Ainda mais com o tema que o autor escolheu. A vantagem é que ele é super fácil e rápido de ler. Terminei rapidinho.

Eu tinha certeza que era uma mulher quem escreveu o livro. É claro que eu tinha visto o nome do autor na parte superior da capa, mas sabe quando você lê e não processa a informação? Pois é, foi o que aconteceu. Mas no fundo deve ser preconceito meu achar que um livro assim tão água com açúcar deveria ter sido escrito por uma mulher e não um homem. Já está mais do que comprovado que homens também sabem ser cliché e adocicados (e mulheres podem ser duras e severas em seus textos).

A Promessa é leve, fácil de ler e de compreender. O típico livro para aquele momento que o leitor não está a fim de pensar e quer desestressar. E é uma história de amor, mas descrita de uma forma tão desprovida de romantismo que dá até raiva.

A personagem principal não me cativou. Ela foi traída, a filha ficou doente e em nenhum momento ela me inspirou um dedinho de simpatia. Acho que é porque eu já passei por algumas coisas nesta vida que me fizeram olhar para ela e pensar que a mulher reclamava demais. Tirando descobrir que o marido a traiu, o que mais ela realmente passou de ruim ao lado dele? Ele nunca foi ausente, nunca deixou faltar nada, era amoroso, carinhoso, adorava a filha, e nunca deu o menor sinal de que não a amava profundamente. A traição foi a única coisa que ele fez de errado para ela. 

Vejam bem, não estou dizendo que ela precisava engolir a traição e aceitar tudo tranquilamente, não é isso. Só acho que ela não pode olhar para os muitos anos de casada, onde foi feliz e realizada e dizer que sua vida era horrível, que o marido a traiu, que não poderia se abrir e confiar em alguém etc. Minha visão da coisa é: aproveite a felicidade que teve, guarde com carinho todos os anos que tiveram juntos, vire a página do livro e viva uma nova vida. Ame outra pessoa, construa outro caminho para você. Não fique chorando por uma infelicidade que você não teve, que você está criando para si mesmo.
Mas não vou ficar me atendo a esses detalhes, embora tenha sido o que mais me incomodou durante o livro: essa posição de vítima na qual a personagem se colocava o tempo inteiro. 

Na minha opinião o autor é imaturo. Não como pessoa, mas sim como escritor. Sua escrita me parece meio cru, um tantinho verde. Falta paixão no seu texto...e nos seus personagens. Mas a coisa melhora depois que Matthew entra de fato na vida de Beth. Provavelmente porque ele é um personagem muito mais interessante e agradável do que Beth e sua amiga Rox, embora também tenha seus defeitos conceituais.

O grande mistério que o envolve me parece bastante óbvio desde o início. Não sei se o autor tinha a intenção de fazer suspense para o público e não conseguiu, ou se não se importava de que o leitor adivinhasse logo qual a história de Matthew.

Seja como for, o livro pecou principalmente por não conseguir me fazer ter empatia com os personagens. Para mim, não importava muito qual seria a decisão de Matthew, o que eu queria era chorar com Beth, acreditar que aquilo ali estava realmente acontecendo. Mas não foi possível. Tudo era muito frio. Palavras no papel, mas não transpiravam para fora dele. 

E o final então...até o calorzinho vagabundo que os últimos capítulos conseguiram inspirar se transformou no mais congelante inverno. Aquele que deveria ser o clímax do livro, o momento que nossos corações pulariam agitados em nosso peito, foi tão pífio e desprovido de sentimentos que eu tive vontade de mandar alguém ensinar a esse autor como se escrever um romance.

Decepcionante.

O mais triste? É que queimei em um único livro dois temas do Desafio Literário de 2012. Viagem no tempo e leitura gastronômica. Tsc, tsc, tsc.

7 comentários:

Marco Antônio disse...

nossa... sinceramente estou muito ansioso para ler um romance seu...rsrs (fui irônico.. rs)
ao contrário de você achei o livro muito bom... até concordo que faltou umas pitadas de romance, e confesso que esperava algo mais na conversa final de Beth e Matthew... mais a idéia do livro me prendeu do começo ao fim.
Acho que o maior defeito de Beth era ocilar entre o altruísmo e o egoísmo... charlotte era apenas uma " coadjuvante" e Matthew sem dúvida um exemplo de homem perfeito...

Mica disse...

Ix, Marco Antônio, não queira ler nada meu, eu sou uma escritora medíocre. Sabe aquele tipo de pessoa que sabe do que gosta, reconhece o que tem qualidade, mas por mais que tente não consegue reproduzir o seu ideal? Pois é, esta sou eu. Uma vergonha, tsc, tsc, tsc. E não foi por falta de tentar. Quando era mais nova me aventurei no campo das fanfictions (e até algumas histórias originais, curtas, tentativas mesmo), mas o resultado não foi dos mais animadores.
Eu sei que você estava sendo irônico e que no fundo não quer ler algo meu, mas...tudo o que eu já escrevi está aqui: http://sangue-e-gotas.livejournal.com

Quanto ao livro, a ideia dele eu achei ótima, inclusive a sequência de acontecimentos. Faltou foi empatia com os personagens mesmo, faltou paixão na forma que o autor colocou o texto no papel. Para mim A Promessa ficou só nisso mesmo, 'na promessa' de algo inovador.
Não é uma total perda de tempo, mas é uma pena um tema tão instigante ter sido tratado de forma tão comum.

Anônimo disse...

ae preciso de um autor que poste uma vez na semana um post sobre livros, se tiver afim ta feito o convite, adorei seu blog e talz >< sou do taberna do viking

mullergomes33@hotmail.com

entre em contato

Luísa disse...

Compartilho da mesma opinião que vc a respeito do livro. Li o livro rapidinho, e cada vez mais indignada com a postura da Beth e a "frieza" com que a história ia se desenrolando.
Era tudo rápido e algumas vezes, óbvio demais.

Magnus disse...

Mica,
Acabei de ler o livro ontem, em dois tempos. De fato, não é um livro ruim, a premissa dele é super bacana, e fica mais interessante quando o Matthew aparece (aliás, existe mesmo um Matthew na vida real?). O grande problema, pra mim, é que as coisas foram se resolvendo muito rápido, muito fáceis, e sem maiores explicações, como disse a Luísa no comentário acima. E o que é aquele final patético? Tinha tanta coisa que poderia se desenrolar ali! Um tema super interessante e instigante, que poderia render um livro espetacularmente romântico e doloroso virou uma coisa banal, como se pudesse acontecer de verdade, com qualquer um.
Gostei da tua opinião. Beijos.

Anônimo disse...

Livro rápido e fácil de ler,verdade!!!

Juliana Christofidis disse...

Mica,
Engraçado, eu gostei muito do texto. Concordo que se trata de uma leitura para divertimento, fácil e agradável. Acho que a Beth tinha motivos para se sentir deprimida, ela também proporcionava uma vida feliz ao marido. Ser enganada durante 7 anos é sentir como se seu casamento fosse uma mentira, mas isso se trata da experiência individual, é isso que é interessante na leitura, ela muda conforme a ótica do leitor.

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