sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Filme: O Preço do Amanhã (In Time)

Esses dias vi o trailer de O Preço do Amanhã e fiquei fascinada, tinha que assistir ao bendito de qualquer jeito e não sosseguei até ir ao cinema.
Não farei uma crítica propriamente dita, porque sinceramente quero comentar como fã e não como alguém que presta atenção nos detalhes técnicos. (chame de preguiçosa, eu não me importo). Por isso, a única informação extra (não relacionada a minha reação ao filme em si) que eu darei é que ele foi escrito e dirigido por Andrew Niccol, o mesmo de O Senhor das Armas e Gattaca.
Já de início vou dizer as três coisas que eu mais gostei de O Preço do Amanhã:

1) A ideia original. Bom, pelo menos não é todo dia que eu vejo no cinema um filme falando sobre pessoas que param de envelhecer aos 25 anos e que passam a usar o tempo de vida como moeda de troca.
2) O elenco. Amo a Amanda Seyfried e o Cillian Murphy, mas basicamente todo mundo ali tem um cantinho no meu coração. E os fãs de série vão reconhecer muita gente que aparece na telinha da sua tv/computador na tela grande.
3) O trailer. As melhores cenas do filme (na minha opinião)  estão no trailer, em especial as que mostram a corrida contra o tempo.

Quanto à ideia por trás do filme, ela é excelente. Tem muita coisa para se explorar em uma situação como essa. Imagine um mundo onde ninguém envelhece além dos seus 25 anos e que as pessoas podem viver para sempre, mas nunca sem o medo de morrer no próximo segundo, já que o tempo é a  nova moeda. Um cafezinho? 4 horas do seu tempo de vida, o que não é muito, diga-se de passagem, já que ao completar 25 anos e o seu relógio começar a funcionar, você ganha apenas 1 ano para gastar, ou seja, se você é rico, vive muito, se é pobre, trabalha feito um condenado por mais um segundinho de vida.


O grande problema mora na execução da coisa toda. Niccol pegou uma ideia excelente e a desenvolveu de forma pífia e preguiçosa. Tudo foi muito previsível e confortável, sem grandes  questões filosóficas ou acontecimento realmente impactantes com o qual o público pudesse se relacionar. Mesmo as ações e rebeliões dos protagonistas era despropositada e infantil, faltando corpo e profundidade no que buscavam. Passei o filme todo lembrando de Bonnie & Clyde, com a sensação de que a dupla sofria de um sério complexo de Robin Hood.
Resumindo: uma baita ideia original executada como se fosse qualquer outro filme de ação por aí. Uma pena, realmente.
E antes de eu continuar a comentar, só mais uma explicaçãozinha básica sobre o roteiro, que é para não deixar ninguém perdido nos comentários. O personagem principal é Will Salas (Justin Timberlake), um jovem pobre, do gueto, de apenas 28 anos que ganhou mais de uma centena de 'tempo' de um ricaço que resolveu cometer suicídio (o belíssimo Matt Bomer, que apareceu pouco demais para o meu gosto). Mas o ricaço não se matou antes de contar a Will a 'verdade' por trás do comércio do tempo. Para alguns viverem, outros precisavam morrer, afinal, de onde os ricos tirariam os seus tempos extras se não dos pobres coitados se matando nos guetos?
E é assim que, munido de mais de um século de vida para gastar, Will Salas vai até a cidade dos ricos e poderosos decidido a ...não sei exatamente ao que, mas o que importa é que por lá ele conhece a jovem Sylvia (Amanda Seyfried), filha justamente do maior negociante do tempo daquela Zona Temporal (como são chamadas as regiões).
Mas a coisa só aperta mesmo quando Will é capturado por Raymond Leon (Cillian Murphy), um agente do tempo que culpa Will pela morte do ricaço lá no início (a bem da verdade, culpa pelo roubo do tempo e não bem pela morte, mas deixa quieto).
Forçado a fugir, com pouco mais de horas de vida restando no seu cronômetro, ele carrega a jovem Sylvia como refém e o resto vocês já sabem... Então vamos voltar às minhas impressões e as minhas dúvidas (todas devidamente anotadas em tópicos à lápis em uma folha de rascunho quando cheguei em casa de madrugada, exausta, porque o cinema é longe a beça).


- Imagino que o mundo todo seja beneficiário dessa  mudança genética descoberta pelos cientistas e que nos impede de envelhecermos além dos 25 anos. Só me pergunto como os habitantes do 3º mundo tem condições de se submeter a esse tipo de tratamento genético (a menos que mexendo com os pais, automaticamente os genes passem para os filhos e daí por diante, sem precisar mais de qualquer intervenção, o que significaria que toda a população dos países paupérrimos foram modificadas apenas uma vez e deixados à própria sorte para morrerem depois).
- Adoro o Vincent Kartheiser desde a época que ele era o Connor, em Angel. Acho que foi por ele que comecei a ver Mad Men (que, aliás, preciso continuar, pois parei em algumas temporada dessas e não tive mais tempo de colocar em dia...socorro!!!) e fiquei radiante quando o vi no trailer de O Preço do Amanhã. Mas imaginava que seria apenas uma participaçãozinha e não que o veria praticamente o filme todo. Eis uma garota feliz.
- Matt Bomer é um dos homens mais lindos que eu já vi. Foi realmente uma pena a sua participação ser tão pequena, apesar de ser o seu personagem o motivador de todos os acontecimentos do filme. Mas sinceramente, ele não falou novidade alguma. Will agiu como se tivesse descoberto a América, mas a verdade é que o ricaço (cujo nome é Henry Hamilton...só para constar) contou apenas o óbvio. É difícil acreditar que Will nunca tenha percebido como eles morriam como abelhas ali no gueto enquanto os ricos viviam por séculos, e que não há como ter tanta gente viva ao mesmo tempo com esta política de 'apenas um ano gratuito após o relógio começar a contar ao se completar 25 anos de idade'. É uma coisa óbvia! Se todo mundo tem apenas 1 ano de vida automática, para se conseguir mais, pessoas precisam morrer e os seus tempos serem usados por outras.
- Não gosto do Alex Petyffer. Ele me irrita. Mas tenho que admitir que ele combina muito mais como vilão do que como mocinho (e estava bem neste filme). Se eu fosse a pessoa que escolhe os elencos dos filmes, nunca mais o chamaria para herói romântico e o usaria sempre nesses papéis menos heroicos e mais ambiguos.
- Eu tenho simpatizado mais com Justin Timberlake nos últimos anos. Ele tem melhorado bastante e mostrado crescimento como ator, fazendo o seu trabalho de forma competente. Mas não há a menor dúvida de que o melhor ator em tela era Cillian Murphy. Ele roubava a cena cada vez que aparecia. E o seu personagem me lembrava um pouco os agentes de Equilibrium
- Eu amo a Amanda Seyfried. Amo. A bem da verdade é que ela foi o motivo de eu querer tanto ver este filme (além do trailer muito bom). Eu a adoro desde a época de Veronica Mars e tenho gostado cada vez mais desde então. Além de absurdamente linda, acho que ela atua muito bem. E embora eu ache que o que eu vou dizer  não vai soar muito bem (mas tentarei expor sem parecer ofensivo, porque não é esta a minha intenção), a Amanda vem me surpreendendo ao longo dos anos em como consegue disfarçar com doçura e caráter aquela expressão de sem vergonha que ela tem (não sei a melhor forma de expressar isso, desculpem-me). 
Tem algo a ver com o formato do rosto e dos olhos. O conjunto do seu rosto sempre me passam uma impressão de promiscuidade, de safadeza, como se ela fosse cheia de malícia. Não é a sua atitude, é a forma como ela olha, a expressão facial. Mas ao mesmo tempo ela consegue transformar essa malícia inerente do seu rosto em doçura e singeleza de caráter e isso me surpreende. É como se fossem opostos sobrepostos, e ela consegue fazer com que ambas as expressões estejam ali, mas sem entrarem em conflito, e isso é muito legal.
Não sei explicar direito o que eu sinto ao vê-la, estou tentando colocar em palavras uma sensação muito pessoal e isso não é fácil. Mas eu sinto o mesmo quando olho para a Olivia Wilde. Ela tem essas mesmas características, mas só ultimamente ela tem conseguido essa sobreposição de opostos. Isso eu acho muito interessante. 
Sim, há atrizes que são verdadeiros camaleões (geralmente as que tem expressões não tão impactantes) , só que também há muitas atrizes que não conseguem se desvincular do formato natural dos seus rostos que lhes dão a eterna imagem de mocinha ou de mulher fatal, por exemplo. Mas tanto Amanda quanto Olivia tem formatos faciais bem característicos, e no entanto a atuação delas consegue nos fazer enxergar além do que vemos e acreditarmos nisso. Por isso sou tão fã.


A partir de agora terão spoilers...não tem como falar o que eu penso sem contar algumas coisas importantes (embora algumas aconteçam no próprio trailer, mas...)


- E já que toquei no nome da Olivia Wilde, a sua personagem me fez chorar. Mesmo. Ela interpreta a mãe de Will Salas e protagoniza a cena mais emocionante do filme inteiro. A agonia que nós sentimos olhando o cronômetro dela se esgotando enquanto corre tentando alcançar o filho que irá lhe emprestar alguns minutos sagrados de vida é indescritível. Só assistindo para saber do que estou falando. A cena é muito, muito bonita e emocionante.
- Não há dúvidas de que as melhores partes do filme são aquelas em que eles estavam com o tempo estourando. Chorei com a corrida de mãe e filho, sentindo o desespero dos dois como se fosse o meu, me emocionei com Will e Sylvia no final e fiquei arrasada com o relógio do agente do tempo zerando. Ele lembrando de repente que tinha esquecido da sua quota diária, o olhar desviando para o antebraço, os segundos esgotando...quando ouvimos o tump eu senti o meu próprio coração encolhendo.
- E embora eu tenha adorado o agente do tempo de Cillian Murphy na maioria das vezes, não gostei do policial ser tão obcecado. Até um ponto foi interessante, porque você não sabia exatamente o que motivava o personagem e parecia ser apenas cumprimento do dever. Mas depois de um tempo ficou pessoal e obsessivo demais e perdeu a graça. 
Quem poderia provar que Henry Hamilton realmente não se suicidou? Nenhum ricaço que viveu demais se matou nesse tempo todo, não? Acho que o simples fato de Henry estar no gueto, lugar onde os ricos nunca iam, já é um indício de que ele não se preocupava com a própria vida. 
Sei lá, a perseguição do agente Leon foi desmedida, desnecessária e doentia. Fico me perguntando se ninguém pode passar o próprio tempo para outro antes de morrer. Onde está o crime nisso? Will só recebeu o tempo que o outro quis passar voluntariamente (deixando alguns minutos para si, de forma que pudesse se dirigir a algum outro lugar para morrer). A obrigação do agente era apurar o suicídio para saber se o tempo do qual Will dispunha era legítimo ou não. Mas a obsessão de Leon arruinou tudo, tanto para ele, quanto para o sistema do tempo em si.
- Quando Will e Sylvia decidem se rebelar, pensei que iriam se levantar contra o sistema de limitação de vida e a alteração genética e não contra o capitalismo envolvido no uso do tempo como moeda. Porque se analisarmos bem, no fundo a infusão de tempo em excesso no mercado só causou uma crise. Mais cedo ou mais tarde o país irá se recuperar e o sistema continuará ativo. É bem o que eu disse, os dois são Bonnie e Clyde com complexo de Robin Hood. No final nada é definitivo ou transformador.
- Eu sei que isso é uma obra de ficção e que certas liberdades são exigidas e, portanto, devemos dar alguns descontos, mas não consigo entender e aceitar o sistema de limitação de vida. Se os bebês são alterados geneticamente antes de nascerem (ou a humanidade foi alterada em algum momento e os genes passaram automaticamente para os filhos, tanto faz...não sei se o filme explica e eu perdi ou se eles não explicam) não há sentido em lhes dar apenas mais um ano de vida após completarem 25 anos e o envelhecimento parar. Não é como se o organismo não aceitasse ou aguentasse mais anos de vida sem envelhecer, já que as pessoas podem viver séculos, desde que paguem pelo tempo extra (ou seja, peguem o tempo de outra pessoa).
Então, se o organismos aceita que alguém viva séculos sem envelhecer, simplesmente tomando o tempo emprestado de outros, porque impuseram uma limitação de apenas 1 ano  após o relógio começar a contar? 
Eu entendo a comercialização do tempo (é uma moeda como qualquer outra), o que não entendo é a limitação de um ano após atingir os 25. Foi uma limitação imposta pelo capitalismo e não obrigatória e natural do processo de parada do envelhecimento (pelo raciocínio feito acima). Não consigo imaginar uma população inteira aceitando passivamente que suas vidas fossem limitadas, mesmo que isso significasse juventude eterna. Alguém iria se insurgir e exigir o seu direito a vida.
E sendo o tempo uma alteração a nível genético, como as pessoas conseguem passar o tempo umas para as outras? Como não bagunça com todo o código genético essa mudança constante de tempo de uma para outra pessoa (afinal, até para comprar água se paga com tempo)?
- A conversa de Sylvia sobre a prisão que é a riqueza e o tempo à disposição não me convenceu. Achei uma solução preguiçosa para o problema do autor de como juntar a mocinha rica e o mocinho rebelde. Já foi feito igualzinho um milhão de vezes antes. E eu não compartilho de jeito nenhum com a teoria de que os ricos, que tem todo aquele tempo de vida à disposição, não vivem.  Para mim, se preocupar com o tempo abundante (e cuidar para que ele continue assim) traz limitações, mas os pobres também sofrem limitações. Não acho que viver com a corda no pescoço seja divertido ou me permita fazer algumas loucuras. Muito pelo contrário, eu não desperdiçaria os meus poucos minutos de vida em coisas que não fossem essenciais. 
O negócio é usar do tempo, mas não fazer do tempo a sua vida. Pretty much like nowadays. Isso independe da sua condição social, tem a ver com a atitude com a qual você encara a sua vida.
- Não gostei do final. Os dois fizeram e aconteceram, mas no fundo não conquistaram nada. A política da limitação do tempo não será revista (eles sequer pensaram na possibilidade), os bebês continuarão nascendo com cronômetros e, embora agora o mercado esteja encharcado de tempo distribuído livremente, vai chegar o momento que este tempo a mais se acabará. E aí? Ninguém vive para sempre se alguém não morrer para que eu pegue o seu tempo. E se ninguém pegar do tempo de ninguém, todos terão apenas 1 ano de vida após os 25 anos, ou seja, para que cessar o envelhecimento, se eu não chegarei a ver os meus 26 anos com vida?
O filme discutiu todas as coisas erradas... e começou tão bem...um argumento tão bom...


***
Só mais uma curiosidade antes de encerrar. No filme, todo mundo parou de envelhecer e terá 25 anos para todo o sempre (que viver). Mas os atores estão em faixas etárias bem distintas (e só Amanda tinha a idade exata que a personagem deveria aparentar). Listei alguns dos principais só para ter uma ideia:


Alex Pettyfer (Fortis - o ladrão de tempo) - 21 anos
Amanda Seyfried (Sylvia Weis) - 25 anos
Olivia Wilde (Rachel Salas) - 27 anos
Collins Pennie (agente Jaeger) - 27 anos
Justin Timberlake (Will Salas) - 30 anos
Vincent Kartheiser (Philippe Weis) - 32 anos
Matt Bomer (Henry Hamilton) - 34 anos
Cillian Murphy (agente Raymond Leon) - 35 anos
Johnny Galecki (Borel...melhor amigo de Will) - 36 anos


Quem estiver interessado em pelo  menos ver o trailer, eu postei aqui. E já digo que achei o segundo melhor do que o primeiro.

7 comentários:

kacomania disse...

Legal a sua visão da história.
Concordo e logo digo que muitas das idéias que você citou são minhas! Você roubou... rsrsrsrs

Só algo me intrigou.
Você citou que os atores tem faixas etárias bem distintas... você quis dizer os atores ou os personagens?

Mica disse...

Oi @kacomania, eu quis dizer os atores mesmo. Eles teoricamente interpretam pessoas que param de envelhecer aos 25 anos, mas o único ator que tinha esta idade quando filmou era a Amanda Seyfried.
Os personagens não...eles podem ter centenas de anos, mas estão 'congelados' com a imagem de um jovem de 25 anos.

!3runo disse...

Achei hilária a cena do magnata com a filha, a esposa e a sogra, todas da mesma idade/aparência.

E a cena da Olivia Wilde correndo em direção ao filho foi muito tocante. Assim como o amigo (Leonard de TBBT) tendo bebido até morrer os anos que recebeu do Justin Timberlake.

Anônimo disse...

Existe um filme antigo, passava na globo, sobre o mesmo tema.

Leandro Carvalho disse...

Acabei de ver o filme novamente agora e pelo que entendi mais uma vez, aquele mundo se trata de uma utopia, a questão do tempo como moeda sempre existiu, não foi ninguém que transformou, não houve nenhum tipo de alteração genética.

Leandro Carvalho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
O filho do Thor e consequentemente neto de Odin disse...

Assisti esses dias e gostei muito

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