domingo, 6 de novembro de 2011

Review: Terminator: The Sarah Connor Chronicles – Allison from Palmdale

Texto postado originalmente no site Teleséries (2008)


Série: Terminator: The Sarah Connor Chronicles
Episódio: Allison from Palmdale
Temporada: 2ª
Número do Episódio: 13 (2×04)
Data de Exibição nos EUA: 29/9/2008
Data de Exibição no Brasil: 25/11/2008
Emissora no Brasil: Warner

Eis um episódio que me marcou mais do que qualquer outro, pois ele me permitiu teorizar em cima da personagem que é para mim, de longe, a melhor de The Sarah Connor Chronicles: Cameron.

Novamente o episódio se divide em três histórias distintas, a de Cameron/John, a de Sarah/Kacy e de Ellison/Catherine.

Inicialmente, as tramas mais simples. Sarah leva Kacy ao hospital e Ellison tenta decidir se largaria o FBI para trabalhar para a empresária em sua busca pelos ciborgues. Catherine está obviamente manipulando Ellison, a pergunta é por que ele se deixa manipular?

As cenas de Sarah aparentemente não tiveram uma grande relevância para o desenvolvimento da história como um todo, mas eu gostei bastante. Serviu para mostrar que Sarah pode ser uma mulher normal, com uma amiga comum e, principalmente, que é muito mais do que a mãe desesperada e neurótica que demonstra ser desde o primeiro episódio. É gostoso ver um lado diferente de um personagem de vez em quando. Mostra que há vida além da neurose. Uma pena que explorem tão pouco esse lado da personagem.

Mas o que traz o diferencial para Allison from Palmdale é a terceira história.
John e Cameron saem para fazer compras e se separam por alguns minutos. Nesse meio tempo a exterminadora surta. Ou melhor, tem novo episódio de falha em seu já defeituoso chip. A diferença é que enquanto anteriormente ela tentou matar o rapaz, desta vez Cameron esquece quem e o que é. A minha teoria é de que com a falha, a máquina acessou uma parte do seu chip que continha as memórias da moça que foi usada como modelo para sua criação. Cameron estava utilizando apenas a função que a permitia misturar-se com os humanos para infiltração, bloqueando todo o restante, e por isso a confusão sobre quem realmente era.

Desmemoriada e quase catatônica, Cameron é presa e na cela conhece Jody (Leah Pipes), uma pilantrazinha acostumada às ruas. As duas são liberadas ao mesmo tempo e, ao ver o bolo de dinheiro que a exterminadora levava consigo, Jody decidiu que deveriam andar juntas.
O que me pergunto é o motivo para levarem uma garota bem vestida e que não fez nada, presa. Tudo bem que ela bateu com o carrinho na pilha de produtos no supermercado, mas aos meus olhos ela parecia muito mais alguém em um surto catatônico (ou seja, doente) do que uma jovem chapada ou mesmo marginal. Posso estar enganada, mas o correto não seria levá-la para um hospital?

A participação de John durante todo o tempo que Cameron esteve com a memória confusa, foi pequena. O rapaz apenas tentava se aproximar da exterminadora, sem muito sucesso. Como chegar até uma garota que acredita ser humana e dizer que ela é uma máquina vinda do futuro?

O interessante foi a forma como a memória da robô foi sendo reconstruída. Inicialmente Cameron tinha acesso apenas às lembranças de Allison Young, uma jovem participante da resistência humana no futuro. E eu abro um parênteses aqui para dizer o quanto eu gosto da atuação de Summer Glau. Ela é fantástica. Conseguia passar por todas as diferentes reações psicológicas da personagem. A humana assustada, determinada, sorridente, em pânico, em lágrimas, e quase ao mesmo tempo, mostrava a exterminadora fria, racional e sem qualquer humanidade.

Ainda acreditando ser Allison Young, Cameron e a psicóloga do abrigo telefonam para a mãe de Allison. Não foi fácil para a garota ouvir a “mãe” dizer que ela ainda não tem uma filha. Mas foi legal a possibilidade de Allison receber este nome graças ao telefonema de Cameron.

E foi a presença de John e sua história (verdadeira) sobre ela ser uma máquina que acaba por fazer Cameron acessar uma outra parte do seu chip: a máquina que quebrou a resistência de Allison. E nós conseguimos enxergar perfeitamente a transformação da Cameron-defeituosa. A descontração da humana se foi e começou a rigidez da máquina, mesmo que ela ainda não tivesse se dado conta da mudança.

Gostei muitíssimo das cenas de Allison no futuro. O desespero em fugir, a tentativa de não se render à tortura, e por fim o golpe de misericórdia: encontrar a si mesma, sabendo que tinha diante de si a provável ruína da resistência humana. Uma das cenas mais incríveis para mim foi esse encontro face a face de Cameron com Allison. E a jovem resistiu até o fim, mas a máquina acabou por descobrir seu último (!?) segredo: o bracelete era o seu passe aos acampamentos da resistência. Uma forma de confirmar que a pessoa era humana e não mais uma máquina disfarçada.

E são as memórias do bracelete e da mentira de Allison que acabam trazendo Cameron de volta no presente. Ou quase. Ao perceber que Jody estava mentindo para ela, Cameron a segurou pelo pescoço exatamente como fez com Allison no passado. A diferença é que a jovem Allison aparentemente não resistiu, mas Jody sobreviveu, para alívio de John (e total descaso de Cameron).

Toda essa história de Cameron no presente e no futuro me fizeram pensar. Quem é realmente a exterminadora? Ela diz para a mulher no abrigo (uma memória do seu eu do futuro) que quer matar John e colocar sua cabeça numa lança para todos verem. Mas é a mesma máquina que diz para Allison que nem todas as máquinas querem a aniquilação total dos humanos. Há aqueles que anseiam pela paz. Onde se encaixa a verdadeira Cameron? E como ela tem a memória de Allison? Porque dá para perceber claramente o momento em que ela deixa de utilizar as memórias da humana. A partir do momento que Cameron passa a existir no futuro (o citado encontro face a face), nós vemos as lembranças pelo olhar da máquina e não mais da garota. Até ali Cameron mantém as memórias da humana, depois daquele momento a exterminadora tem apenas as memórias da máquina que é e do que vivenciou. Pergunto-me como foram implantadas as memórias da garota dentro dela.

E isso me leva a outras duas perguntas:

1) Terá Cameron realmente sido reprogramada? Eu tenho a sensação de que ela fez um ‘acordo’ com Connor no futuro. Se seu HD tivesse sido apagado, seria possível lembrar desse tipo de informação? Creio que não. Eu sinto que durante todo esse tempo que nós a conhecemos, todos esses dados estão dentro de Cameron e sendo utilizados (inclusive há de se lembrar o cancelamento da ordem de extermínio de John por sua própria decisão). O caso é que só tivemos a oportunidade de enxergar um pouco do que há dentro da exterminadora porque o chip está com defeito, caso contrário ela continuaria balanceando perfeitamente todas as informações e usando-as de acordo com as suas necessidades.

2) Foi realmente Connor quem a enviou do futuro? Como e por que ele confiaria tanto em uma máquina que matou um de seus soldados e ainda tomou a sua forma?
E até onde o dano no chip poderá prejudicar os Connor? E mais, Cameron já mencionou anteriormente que mentia para John, entretanto foi impactante a mentira que conta no carro. Até onde confiar em sua exterminadora defeituosa?

* * *

Comentários aleatórios:

• Sou aficionada pela cena que John pergunta se ela matou Jody e ela diz “aparentemente não”. Frieza, descaso. Essa é a Cameron que eu amo.

• Aquelas maçãs muito vermelhas eram de verdade? Meu Deus! Quanta manipulação para fazer um alimento ficar tão visualmente perfeito?

• A dúvida geral é: Cameron chorou. Os robôs podem chorar? Eu não vejo motivos para não o fazerem, já que eles procuram simular em tudo os humanos. E Cameron foi criada para infiltração, ela come, ela se mistura, então, por que não chorar?

• Um defeito no episódio é que tudo aconteceu muito rápido. Kacy passa mal e vai para o hospital, onde passa a noite, mas John ficou na rua o tempo todo procurando por Cameron e enquanto isso, Cameron foi presa, liberada, foi para a lanchonete, para o abrigo, falou com a psicóloga duas vezes, deitou no beliche, jogou com Jody, e ainda teve tempo de fugir e ir à casa dos pais de Jody para assaltá-la. Tenho a sensação de que as duas fizeram mais coisa do que o tempo permitiu.

• Interessante a expressão de John ao ver Cameron jogando pebolim. Fazia um bom tempo que ele não a via sorrindo e sendo ‘humana’. Assim como fazia um tempinho que “eu” não o via olhando-a com carinho.

• A filha de Catherine é muito estranha (embora linda com sua pele branquinha e cabelo ruivo). É uma mini-Catherine, quieta e reservada.

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